Revista Criança Cidadã - Matérias

Um lar para quem precisa

Edição 03 - Agosto/Setembro 2010

Sempre em busca do exercício da inclusão social, a Associação Beneficente Criança Cidadã (ABCC) e o Instituto de Assistência Social e Cidadania da Prefeitura do Recife (Iasc) são parceiros no programa “Aluguel Temporário”. O principal objetivo da ação é retirar adultos e crianças das ruas para reinseri-los na vida comunitária e, assim, reestruturar vínculos familiares.

A cama é um banco ou uma calçada. O cobertor, um papelão. O frio é a realidade daqueles que não têm
lar. Foi assim que o ex-morador de rua Agnaldo Nunes da Silva viveu durante um bom tempo, nas esquinas
do Marco Zero. Hoje é diferente, graças ao “Aluguel Temporário”. Através do programa, a ABCC doa o valor de R$ 100,00 para o aluguel de um quarto. Nunes, agora, dorme sob um teto e numa cama simples,
mas que, em comparação ao chão das ruas, é muito aconchegante. “Tenho tuberculose e passava a noite no
frio. Aqui, estou me tratando, recebendo alimentação e ajuda com os medicamentos”, disse.

De acordo com a gerente operacional do Iasc, Jaqueline Oliveira, para chamar os moradores de rua para o programa, equipes de áreas RPAs e educadores abordam-nos, geralmente famílias com crianças, sobre o aluguel e, posteriormente, solicitam a entrada.
Cerca de 20 famílias são atendidas mensalmente. Elas recebem o “kit reinserção”, utensílios básicos para
se manterem. Além disso, o Iasc disponibiliza serviço de saúde, registro de documentos e apoio psicológico
para os atendidos.

Agnaldo Nunes e o colega Moisés Ferreira residem na pensão do programa, na Rua da Glória, há
cinco meses, mas nem todos que participam do “Aluguel Temporário” passam tanto tempo como
eles. “Muita gente abandona o espaço. Na verdade, se acostumam a viver na rua. Já teve morador que vendeu utensílio do quarto para conseguir dinheiro”, lamentou a assistente social do Iasc,
Maria das Graças Marques.

Os benefícios do programa, no entanto, são publicamente reconhecidos. “O sonho dessa
parceria é oferecer condições para que os moradores de rua, a princípio, tenham onde dormir e, futuramente, possam se sustentar por conta
própria”, fnaliza Maria das Graças.0

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